sexta-feira, novembro 14, 2008

Aos leitores

Mudei de blog. Este aqui continuará, como um registro pessoal e tal, e às vezes posso publicar algumas divagações que não cabem lá. Mas, para quem quiser me acompanhar diariamente no novo projeto - porque lá tem texto todo santo dia -, anote aí:

http://www.fechaaspas.com/

E obrigado por dois anos de acessos, duzentos mil comentários, duzentas mil recomendações... :)

sábado, outubro 25, 2008

Verdades de granito

Você sabe que se tornou adulto quando descobre o que significa cheque especial, pagamento mínimo e crédito rotativo; quando vai sozinho ao médico e não tem ninguém para decifrar o que está escrito na sua receita; quando aprende que não se pode misturar destilados; quando descobre que o que difere uma pessoa boa de uma ruim é o tamanho de seu ego; quando não pode dizer a verdade para evitar futuros problemas; quando calcula quanto sobrará na sua conta além do próximo fim de semana; quando conhece alguém legal e não deixa ir além porque aprendeu que nada que começa numa noite de sábado é para sempre; quando tem uma agenda cheia de nomes e sabe que ninguém ali pode te ajudar na segunda-feira; quando se acostuma a acordar cedo e não consegue dormir até tarde no fim de semana; quando discute com gerente de banco por causa de alguns reais; quando se dá conta que a música da sua vida nem é tão genial e muitas pessoas fizeram canções melhores; quando suas noitadas viram rotina e aquilo tudo não te empolga mais; quando você realmente quer acreditar quando seus pais dizem que tal coisa dará certo, mas já aprendeu que papai não tem superpoderes e sua retórica nem sempre é o melhor dos conselhos.


Você sabe que é adulto quando olha pra trás e percebe que envelheceu dez anos em dez meses.

sábado, agosto 16, 2008

'Um verdadeiro Rebelde vai lutar até o fim'

Inconformados com o anúncio do fim da banda mexicana RBD, os fãs brasileiros estão organizando de passeatas a correntes de oração para tentar evitar a separação dos seis cantores. No orkut, além das milhares de mensagens de luto colocadas nos perfis dos fãs da banda, até depoimentos de pais podem ser vistos nas incontáveis comunidades dedicadas ao grupo no site de relacionamentos.

"Tenho 38 anos e minha filha é super fã do RBD. A banda entrou em nossas vidas. Não importa o que aconteça daqui para frente, o que o RBD conquistou em nossos corações nem o tempo, nem ninguem jamais apagará. Um verdadeiro Rebelde vai lutar até o fim", dizia o relato de um pai, em uma comunidade de quase 300 mil fãs.

No YouTube, vídeos conclamando "passeatas mundiais" foram postados. Neste sábado, surgiu a notícia - ainda não confirmada - de que dois fãs do grupo se suicidaram no México.

Para quem diz que a juventude brasileira é alienada e não luta por nada, aí está a prova do contrário. Jamais subestime o poder dos fenômenos culturais do México - de RBD a Maria do Bairro, eles despertaram mais paixão entre os adolescentes do Brasil do que qualquer temporada de Malhação ou banda made in MTV jamais conseguiu.

Aos fãs dos Rebeldes

Em São Paulo, a passeata acontece no dia 23, às 15 horas, em frente ao MASP, na Avenida Paulista. Para o Rio, Brasília, Curitiba e outras capitais brasileiras também estão programadas manifestações. No México, o protesto promete passar pela Cidade do México e Monterrey.

segunda-feira, agosto 04, 2008

Save your pennies

Com R$ 5 mil você pode comprar uma jaquetinha da Dolce & Gabbana no Shopping Iguatemi, ou pagar um salário mínimo para um empregado durante um ano inteiro. A peça, destaca a vendedora da famosa grife italiana, pode ser parcelada em até dez vezes no cartão. Ufa!

Se você estiver podendo gastar um pouco mais, com R$ 30 mil leva um pingente de ouro na Tiffany & Co. do mesmo shopping. É um dos artigos mais baratos da única filial brasileira da joalheria imortalizada no clássico Breakfast at Tiffany's (Bonequinha de Luxo, de 1961, com Audrey Hepburn). A mesma quantia também pode pagar oito horas diárias de serviço do quase-jornalista que escreveu esse post por quase três anos.

Se já tiver conseguido alguns milhões e quiser fazer uma festa com direito a paparazzis na porta e gente se estapeando para entrar, pode chamar Madonna para cantar até três músicas no seu evento por US$ 2 milhões. Mas, como nem todos podem gastar tanto, com menos da metade desse valor a princesinha do pop Britney Spears pode dar o ar da graça em sua comemoração. Os empresários ressaltam que a quantia paga apenas o cachê - se quiser garantir a presença das popstars, é bom se preparar para arcar com as despesas de transporte e hospedagem. Lembrando que Britney e Madonna não saem de Beverly Hills e Londres para dormir em um hotel da rede Hilton, nem viajam de American Airlines.

Agora, se realmente já estiver atingido status quo, pode comprar a primeira foto dos gêmeos de Brad Pitt e Angelina Jolie. Por US$ 11 milhões, você coloca Vivienne Marcheline e Knox Leon na capa de sua revista e consegue um furo mundial. Para editores que sempre sonharam em poder usar o chapéu 'WORLD EXCLUSIVE' na primeira página, eis a grande chance.

E para aqueles que leram isso tudo sem pagar nada, ganham pouco, trabalham muito e estão sempre inconformados com a desigualdade mundial, Madonna deixa um recado: 'cause the boy with the cold hard cash is always Mister Right'. Sempre sábia.

sexta-feira, julho 04, 2008

Há um ano

"Love looks not with the eyes, but with the mind;
And therefore is winged Cupid is painted blind"
(William Shakespeare)

Quem aqui já recebeu versos de Shakespeare num cartão vermelho?

Eu já.

sábado, junho 14, 2008

Barack o quê?

Nos últimos meses, um tal de Barack Obama surgiu na imprensa internacional e dominou o noticiário político. No começo desse mês, ele se tornou o candidato do Partido Democrata à Casa Branca. Aí você se pergunta: por que há tanta atenção em torno das eleições americanas e, mais especificamente, nesse sujeito que até pouco tempo atrás ninguém sabia que existia?

A resposta está no fato dele ser um jovem senador negro que resolveu enfrentar duas forças em esferas opostas, mas igualmente poderosas: um dos clãs políticos mais poderosos dos Estados Unidos e a questão do preconceito racial histórico. Ele ganhou dos dois lados, e de brinde pode dirigir a nação mais importante do planeta.

Durante 16 meses, esse nome meio árabe, meio africano, desafiou a senadora-celebridade Hillary Clinton. Mulher do também estrela e ex-presidente Bill, ela tinha tudo para levar a indicação da legenda e disputar a Presidência pelos democratas: era conhecida, tinha apoio, dinheiro e contava com um marido que durante seus oito anos de governo comandou o partido. Alguém acreditava que aquele senadorzinho de Illinois poderia vencer? Hillary não.

No final do ano passado, a também senadora loira pelo importante Estado de Nova York - que sempre foi um fênomeno nas urnas, reelegendo-se para o Senado em 2004 como uma das mais votadas - chegou a abrir 20 pontos de vantagem sobre o alguma coisa Obama. Por que ele ainda tentava?

Quando começaram as eleições primárias em janeiro deste ano (uma série de votações internas dos partidos que podem decidir a nomeação presidencial), a ex-primeira dama começou a se preocupar. Logo na primeira, em Iowa, Obama - que já liderava na arrecadação de fundos - venceu. Pouco depois, John Kerry (o democrata hype que Bono Vox, Bruce Springsteen e Madonna apoiaram na eleição presidencial de 2004), anunciou seu endosso ao senador. Era só o começo da Obamamania.

Pouco a pouco, aquele jovem negro havaiano, que passou a infância brincando na Indonésia e visitando a avó no Quênia, se tornou um fenômeno e a maior dor de cabeça para os Clintons. Ganhando apoio tanto de personalidades americanas - como a família Kennedy - quanto dos cidadãos que garantiam a vitória nas urnas, sua candidatura se tornou realidade durante os seis meses de primárias.

Hillary bateu o pé, atirou para todos os lados e quase dividiu o Partido Democrata. Enquanto isso, os rivais republicanos (o partido do presidente George W. Bush) riam a toa. A indicação presidencial deles - John McCain - já estava certa e os democratas se degladiavam naquelas intermináveis prévias.

Mas não teve jeito - aquele era o momento de Obama, e nem os discursos da loira explorando a inexperiência do rival e os próprios "erros" de sua campanha conseguiram derrubar a candidatura.

De antemão, ele já fez história: é o primeiro afro-americano a concorrer à Presidência dos EUA. Barack Hussein Obama ganhou popularidade e projeção mundiais, e nem as questões de ser negro em uma sociedade de preconceito velado, ter sobrenome árabe numa nação onde Oriente Médio é sinônimo de terrorismo e concorrer com uma quase popstar impediram sua vitória.

É certo que o desejo pela mudança que predomina nos EUA - e slogan da campanha do democrata - ajudou, mas nem por isso sua candidatura tem menos mérito. Agora, nos resta aguardar os próximos capitulos e torcer por Obama nas eleições gerais de novembro. Afinal, sejamos francos: quem não quer ver um Hussein Obama (trocadilhos com 'Osama' à parte) sentado na cadeira de Bush?

quinta-feira, maio 15, 2008

Efemeridades

Uma mulher entra descalça no ônibus, em uma manhã gelada em São Paulo. Em seus braços leva uma criança. Ela cobre o menino com uma manta e fecha as janelas. Ele parecia estar bem aquecido.

A mulher tremia. Enquanto todos os outros passageiros estavam agasalhados com bons casacos, ela usava apenas uma camiseta velha e uma bermuda surrada, ignorando o frio que fizera muitas pessoas dormir um mais pouco naquela manhã cinzenta. O bebê, porém, vestia uma blusa de lã, uma calça de veludo e sapatinhos de crochê.

Ela pegava na pequena mão do garoto e encostava em seu rosto. Parecia querer ter certeza de que a criança - que talvez fosse seu filho - não sentia frio. Ela, no entanto, tremia visivelmente.

"O senhor é daqui?", a mulher me perguntou. Eu, que sentava ao lado dela, respondi que sim, e fui surpreendido com uma nova questão: "Conhece algum lugar aonde eu possa ficar essa noite por uns dez reais?"

Infelizmente, não pude ajudá-la. Se ela me pedisse uma indicação de um bom restaurante ou de algum lugar para se divertir, poderia listar uma dúzia de opções irresistíveis. Mas abrigo por dez reais não faz parte do dia-a-dia da alienada classe média paulistana.

Depois disso, não fez mais perguntas.

De repente, o menino acordou. Ela abraçou ele, que parecia feliz ao despertar, apesar de todo desconforto de dormir em um veículo lotado. Antes de descer, pude ver o bebê sorrindo pra ela.

Um singelo momento que passaria despercebido, não fossem os episódios brutais da mudança do relacionamento entre pais e filhos que a sociedade assistiu nos últimos tempos.

sábado, abril 05, 2008

Saturday night's alright (for fighting)

Sábado é o dia mais democrático e neoliberal da semana. Depois das 20 horas, então, eleve seu poder a décima potência. Não há maniqueísmo num sábado a noite. Tudo é relativo. (Quase) tudo vale a pena.

Quando Huxley escreveu Admirável Mundo Novo, ele devia estar pensando numa noite de sábado que não terminou. Pode esquecer seu nome, o superego agradece. A vida semanal entra em stand by e um alterego de sábado assume o comando. Dada as proporções, é bom tomar cuidado: nem sempre o que acontece no sábado fica no sábado. E tem coisa pior que a repercussão da noite durante a semana?

Saturday Night Fever é o filme e Holiday é a música. No sábado, qualquer canto é válido, desde que haja música, pessoas e dois dedos de algum diminuidor da inibição. Pessoas, aliás, é um caso à parte: quantas são as amizades que só são lembradas numa noite de sábado?

Tem gente que adota a doutrina do sábado durante a semana, mas aí perde a graça. Se todo o dia é sábado, qual a vantagem do 6.º dia da semana? Não se deve levar o dia a sério. Nada que começa num sábado é pra sempre.

E depois é domingo, dia mundial da volta da consciência.

A solução é esperar o próximo sábado - afinal, só faltam seis dias.
E viva a pós-modernidade.

domingo, janeiro 27, 2008

Desembrulhando

Ela não espera mais. É engraçado como, de uma hora pra outra, uma decepção pode se transformar num motivo de riso, acompanhado de café e bolachas num domingo a tarde.

Numa noite como aquela, ela percebeu que sua gratidão era demais; sua sinceridade era muito grande para tão pouco. E então você nota o quanto uma situação específica influi na sua capacidade de percepção momentânea. Nem heroína é tão poderosa na desfiguração da realidade quanto a combinação de gostar do que não se pode ter com dois dedos de um sentimento inferioridade. E para você perceber isso, só com outra decepção do mesmo nível - e de preferência, logo em seguida. Depois que as coisas passam, a parte ruim vira indiferença e seu discernimento vai as alturas. Uma recompensa, afinal.

De nada adianta você querer um presente se aquele não for o seu embrulho. O bom, porém, é quando a situação se inverte.

Então ela olha para trás e involuntariamente deixa escapar um sorriso.


Game over, meu amigo.

terça-feira, janeiro 01, 2008

Reinvent your(my)self

É impressionante como sua vida pode mudar em, tipo, dois minutos (ou duas semanas).

Nós fazemos os planos, arrumamos as coisas a nossa maneira...
e puft, muda.

E quer saber? acho ótimo.

Um brinde ao inesperado!


(Começo 2008 em emprego novo e em nova turma na faculdade - com um sentimento inexplicável de alegria, medo e satisfação nunca antes vivido. Realmente é ano novo por aqui).

terça-feira, dezembro 04, 2007

Pendências

O natal se aproxima. Com o verde e vermelho, lembro do ano que passou, do que foi feito, do passado que se acumulou - passado que não posso mais mudar . Pessoas que entraram e saíram; pessoas que moldaram o meu desejo num dos anos mais atípicos da minha vida. Foi um ano de pessoas.

Causei algumas explosões numas vidas, fui a diversão de outras. A poeira ainda se acumula sob os olhos, não posso negar, porém a possibilidade de um começo em branco no próximo ano é sempre tão sedutora quanto os divertidos (ou não) episódios desse meu 2007.

Na verdade, pouca coisa nesse ano foi pra valer. Foi tempo de imediatismos.

Tudo muito intenso, rápido, condicional, frágil... efêmero.

Algumas lições, como sempre, vão para minha caixinha de vida; outras, tentarei despejar em algum canto obscuro da memória. Não vou conseguir esquecê-las, sei disso, mas dá pra anestesiar. Sempre dá.

De qualquer forma, a conclusão é que em 2007 eu vivi. Vivi demais.


E você?

terça-feira, outubro 16, 2007

Relevâncias

Tem horas que fazemos algo e não sabemos porquê, tem gente em que nós insistimos e não sabemos por quê.

Tem outros que passam pela nossa vida por razões não muito claras, razões que nunca saberemos mesmo. Tem vezes que nem você sabe se gosta do frio ou do calor, do preto ou do branco, de chocolate ou de morango.

O bom é que as possibilidades - todas as possibilidades - são tão infinitas quanto aquelas combinações fatoriais da estatística. Quando um salão tá chato, mude pra outro (ainda quando nem você sabe por que mudar daqui pra lá, é bom. Ou pelo menos é o que tem pra hoje)


E viva todos nós que vivemos sem saber por quê!

Cheers

domingo, agosto 05, 2007

Rasgando embrulhos

Ela sabia que não devia, mas não não deu. Era o seu dia, o seu momento.

Sentir aquela pulsação confundir-se com a dela era o que ela precisava para passar pela revolução que viria nos próximos dias. Entre arrependimentos e breve momentos de alegria, a vida flui melhor. E aquelas horas que você sabe que custarão caro depois sempre tem mais valor.

Não foi ela quem escolheu, na verdade já tinha se condicionado a não pensar. O pior é pensar que as circunstâncias nem tão boas sempre andam de mãos dadas com o equívoco. Mas aconteceu. E quando ela disse saber que ele não era seu, apenas estavam juntos naquele dia, ele não disse nada. Então ela entendeu o que isso significava.

Ela lhe falou de um lugar onde sentiriam-se no deserto. Sua gratidão lhe confortou. Partiram em silêncio. Ainda que ele a olhasse pouco, foi nesse lugar onde só os dois viam que ela recebeu dele o seu olhar mais bonito.

Alguns poucos dias depois, o inevitável aconteceu, a anestesia passou e a melhor sinceridade dela não foi o bastante para convencê-lo. Cada palavra calculada e cada frase sistematicamente pensada não mudaram em nada aquele desfecho.

Ela devia ter ensaiado mais, ou quem sabe não ter abusado da sinceridade. O importante é dizer aquilo que precisa ser dito, não o que você realmente quer falar. Outra lição para sua caixinha de vida.

Ainda que ela seja uma idealizadora de riscos calculados, a ilusão lhe trouxe belos momentos. E quando não há mais nada a fazer, você se convence que o importante foi o momento, não a pessoa; e então sai novamente em busca desse momento cujo nome não deseja mais ouvir, e dele não se conforma.

Dia após dia, você se convence da realidade. Ela não quer recordações, não vai (e não pode) tentar de novo. Teve o que devia ter e ponto final. Prefere pensar que foi como o dia de seu aniversário - e a vida também lhe mandara um presente. No final da festa, nós limpamos o salão, guardamos o que ganhamos e então isso tudo não faz mais sentido. O bom mesmo é quando você rasga o embrulho e surpreende-se com o que vê. Depois, é só esperar pelos presentes do próximo ano.

E ela espera.

terça-feira, julho 10, 2007

Vivendo e aprendendo com os ricos e famosos

Bon Jovi me ensinou a não ceder, nunca voltar atrás e fazer as coisas do meu jeito.

Oasis me ensinou a levantar a cabeça e sempre dizer "sou melhor que você".

Rolling Stones me deixou a lição de que o importante é fazer o que gosta, não se importando com o que as pessoas dizem.

Renato Russo me convenceu com sua filosofia de que não existe amor sem sofrimento.

Madonna me ensinou a nunca aceitar um não como resposta.

Porém, a lição mais importante veio de observar a vida de Britney Spears: nunca bote a cara na rua se você estiver se sentindo feio. Inevitavelmente você será visto e se tornará a pauta de discussão amanhã.


Sábia juventude.

domingo, junho 03, 2007

Das quase verdades de granito

Às vezes, o bom é esquecer da gente.

Esquecer dos conflitos internos, da tempestade de pensamentos que nos tornam tão humanos e vulneráveis a tudo. Tão humanos.

Enquanto Maysa me falava dos gizos falsos da alegria, o frio chegou. E o vento gelado ainda corta mais meus lábios do que as previsões não muito certas em que se apoiam meu mundo. Não, ele ainda não caiu - mas eu já aprendi a levantar.


Preciso aprender a esquecer de mim.

quarta-feira, março 21, 2007

Ao som de Summertime, Janis Joplin

Percebo que este blog desatualizado me incomoda.

Sempre penso em atualizar, mas por preguiça não o faço. Mas esse hiato me cobra uma atitude.
Aí hoje vim aqui, encarar essa tela branca, sem idéia alguma do que escrever... psicografando as primeiras coisas que vierem na minha mente (e dedos). Enfim.

Essa semana me disseram que eu não sei "ficar com a penúltima palavra", e isso é um defeito. E também me disseram que "meu texto está ruim". E ah, há duas semanas atrás eu ouvi um "eu te amo".
O que eu digo sobre isso tudo? não parei pra pensar, então vamos por partes:

Sobre "não saber ficar com penúltima palavra", não sei mesmo. Quem quer ficar com o segundo lugar? Eu que não. Se posso ficar com última palavra, claro que ficarei com ela. Me agradam mais; ponto final é mais importante que parágrafo (aliás, sempre esqueço dos parágrafos).

Quanto "ao meu texto estar ruim", bom, aí não sei o que dizer. Macabéa, a nordestina de A Hora Da Estrela, pediria desculpas pelo incômodo. Vou na dela.

E sobre o "eu te amo", também peço perdão, acho isso brega. Prefiro um "eu te gosto".


Um defeito, outro defeito e uma ilusão, pra fechar o pacote. Isso é vida real.

Ouço Janis enquanto espero o frio chegar.

domingo, fevereiro 11, 2007

Não uso All Star

E curso comunicação social, jornalismo.

Não uso calça xadrez e não gosto de camisa listrada; não uso óculos com armação grossa - aliás, não uso nenhum óculos. Não ouço bandas (muito) desconhecidas, não quero parecer alternativo.

Não escrevo textos complicados e sem sentido (e sem noção) que ninguém, além do próprio autor, entende.

E curso comunicação social, jornalismo.

Não sou adepto do pseudo-intelectualismo e fujo da caracterização visual padrão dos estudantes de jornalismo.

Apesar disso, leio a mesma coisa que eles - os estudantes de jornalismo padrão e que agem como tal, acima de qualquer suspeita de ilegimitidade -, faço o mesmo curso que eles, até conheço o que eles ouvem.

Me divirto com a indústria cultural, adoro coisas do mainstream - no momento ouço Madonna, Like a Prayer - e não troco meu Reebok por um All Star.

E curso comunicação social, jornalismo.

Não busco o alternativismo sendo igual aos outros jornalistas em formação. Onde está a alternativa em ser assim?

Transpassei a barreira do "jornalismo visual" e pretendo ser reconhecido pelo trabalho de fato, não pela camisa pólo xadrez e All Star que eles vestem.

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Sim, é presente. Pode embrulhar

Dezembro. calor. vendedores que vendem até água salgada na praia. falsa ilusão de poder aquisitivo graças ao 13º salário. eu fazendo planos para o ano que vem. calor. mensagens de 'feliz natal e próspero ano-novo'. Sadia e seu peru de natal; Perdigão e seu frango de domingo exclusivo (aka Chester). missa do Galo. aceita Redeshop? especial Roberto Carlos. não, não vou viajar. publicidade no auge, levando todos a beira das lágrimas com as mais lindas mensagens de esperança para o novo ano. Caras estampando todos os artistas do Brasil vestidos de branco. calor. árvores de natal e papais noel ctrl+c/ctrl+v em nossos orkut's. show da virada. champagne Sidra Cereser sabor maçã. "É só uma lembrancinha" [misto de desprezo e raiva - é um par de meias] "Ah, não precisava... obrigado". calor: é o efeito estufa. Globo dizendo que este é um novo dia de um novo tempo que começou.

Tudo tão last week.

Precisamos todos de uma versão de atualização 2.0 de dezembro.

sábado, dezembro 02, 2006

Antes que eu me esqueça

Como é possível você ser a peça principal na vida de uma pessoa e, tempos depois, esta mal lembrar seu nome?

Sei que ninguém tem, assim, um valor fixo na vida de alguém; os valores que damos às pessoas são passíveis de mudanças a cada dia. Mas eu não sou assim, se alguém foi importante por aqui, será sempre. Claro que seu valor agregado pode mudar: existem graus e graus de importância. Mas ainda assim.

O tempo passa, as coisas mudam, os fatos somem... a memória, não (aliás, não deveria, num plano perfeito).

Por que as pessoas especiais mudam?

Obs: Comecei este post escrevendo sobre 'As 10 razões para gostar de dezembro'. Quando terminei, relí, não gostei e apaguei. Foi-se.

domingo, novembro 19, 2006

A midiatilização e nós

Só um rápido pensamento: tudo o que sabemos, sabemos pela mídia.

A mídia e os meios de comunicação transformaram tudo em produto, inclusive nós.

Querem exemplos?

Nosso conceito de beleza. Esse é clássico, todos falam etc.
E nossos relacionamentos? quem não espera um romance hollywoodiano?
Nossas idéias de pessoa bem-sucedida, de pessoa feliz e infeliz... tudo midiatilizado.

Creio que não há muito que possa ser feito para esse quadro mudar.
É algo tão enraizado em nós que deixa-nos duas opções: adaptar-se ou ser um loser coitadinho.

Como percebi conversando com um amigo um dia desses, até nossas expectativas ao entrar na faculdade (ou colégio) são expectativas glamourizadas, como naqueles filmes que vemos no cinema. É bem aquela coisa de seriado. Todos procuramos uma vida acadêmica com muitas aventuras estilo seriado americano mesmo.

Queremos, ainda que sem perceber, uma vida à lá The OC, Friends ou Laguna Beach.

Pena que a vida real não é um filme e nós não somos heróis.